You are currently browsing the category archive for the ‘viagem’ category.

Começo desse ano, surgiu lá em casa a vontade de morar um ano fora. Desde que eu era pequena, ouvia meus pais falando disso, mas nunca parecia o momento certo. Agora – com a Nina grandinha, a Alice podendo fazer intercâmbio pela universidade, eu recém formada sem trabalho fixo, e meus pais com a vida mais estável – tudo indicava que era a hora.

Logo pensamos em ir pra um país de língua inglesa. A escolha da Inglaterra foi por termos passaporte Português, o que nos permitiria trabalhar e estudar com mais facilidade. Bristol era a cidade que unia melhores opções de universidades, escolas e lazer pra todos.

Planejamos a empreitada, mas eram tantas variáveis que só soubemos que ia dar certo menos de um mês antes de viajar! E daí começou uma super correria de esvaziar casa para ser alugada, vender carros, resolver questões burocráticas… Os dias que antecederam a viagem foram altamente cansativos e, para mim, agravados pelo sentimento de estar deixando para trás um companheiro que há tantos anos mora no meu coração…

Se antes parecia que o dia 16 de Agosto nunca chegaria, quando chegou, veio com tudo. De Florianópolis até Bristol foram 29 horas entre carros, aviões, aeroportos e ônibus. As poltronas da British Airways são ligeiramente mais espaçosas do que as das outras companias aéreas, mas nada que torne um voo de 11 horas confortável… Chegamos em Bristol acabados, mas muito felizes de estarmos começando uma nova etapa tão empolgante de nossas vidas!

Alice, pai e Nina no voo Floripa-Rio

Nossas vidas em muitas malas…

Meu pai e o Boeing 777 que nos trouxe pra Inglaterra

Animadas no começo do voo

O jantar da Alice veio antes porque era vegetariano… humpf

O que salvou mesmo foi o vinho!

Nina no bem bom (aquela coisa embaixo dos cobertores)

Já não tão animadas depois de uma noite mal dormida…

Nossa primeira refeição na Inglaterra foi no Marks & Spencer do aeroporto

Esperando o ônibus pra Bristol

A caminho da nova casa

Anúncios

Final de semana fui pra Laguna em um passeio do curso de Arquitetura da UFSC. Sexta-feira à noite descobri que tinha sobrado vaga no ônibus e, menos de seis horas depois, lá estava eu rumo ao sul do Estado.

Nunca tinha ido pra Laguna e fazia uns bons anos que não participava de uma viagem de estudos. Se já estava feliz só por isso, imagina quando descobri que ia andar de balsa, comer pastel de camarão, tainha frita, e dar uma esticadinha até o Farol de Santa Marta. E ainda por cima na companhia de pessoas muito agradáveis. :)

O professor que nos acompanhou era muito bacana. Além de falar da arquitetura do local, ele também sabia tudo sobre a história – o que tornou o passeio bastante envolvente até mesmo pra mim (a única não-futura-arquiteta do grupo).

Só a parte da balsa foi um pouco tensa. No meio da laguna, a suspensão de ar do nosso ônibus estorou fazendo um barulho gigante! Sorte que não estávamos dentro dele, e sorte que logo a empresa mandou um micro-ônibus para substituir.

O fim de tarde no Farol de Santa Marta foi sem palavras. Acho que qualquer paisagem fica ainda mais bonita com um céu de outono, não é mesmo?

(algum dia de janeiro de 2009 – Colorado, EUA)

05h08 o despertador tocou. Lá fora tudo era escuro, silêncio e muita neve. O que aconteceria na próxima hora já estava tão automático que ela poderia fazer ainda dormindo.

Tirou o pijama e entrou no banho. Lavou os cabelos e depois secou. Vestiu as meias, a meia-calça, a calça térmica, a blusa térmica, um suéter de lã e a camisa do uniforme. Calçou as pantufas e foi pra cozinha.

Os outros 7 habitantes da casa ainda dormiriam por mais pelo ao menos 2 horas…

Ligou a cafeteira e esquentou o leite. Preparou um oatmeal e duas torradas com manteiga, queijo e mel. A fome que ela sentia por lá era inexplicável. O que, por sua vez, explicava os 6 kilos ganhos em menos de 2 meses…

Lavou a louça e voltou pro quarto. Escovou os dentes e vestiu mais uma calça e mais um casaco. Calçou as botas e pegou a bolsa.

Deu um beijo no namorado – que dormia profundamente do outro lado da cama. Ele acordou o suficiente só para resmungar algo parecido com “bom dia, amor”. Há 4 horas atrás, foi a vez dele chegar do trabalho e ela acordar o suficiente só para resmungar algo parecido com “boa noite, amor”.

Antes de sair, vestiu mais o casaco impermeável, o cachecol, o gorro, o chapéu e dois pares de luvas.

Seus pés afundavam na neve enquanto caminhava – era muito cedo e o snowcat ainda não havia passado limpando as calçadas. A altitude de 3 mil metros a fazia ofegar como se estivesse correndo uma maratona; e, aos poucos, as únicas partes descobertas de seu corpo começaram a formigar.

Chegou no ponto às 06h08 e chorou. Dessa vez não foi de saudades. Era o frio que fazia as lágrimas escorrerem, gelando suas bochechas.

Entrou no ônibus já lotado de mexicanos – que dormiam feitos galinhas empoleiradas. Enxugou o rosto e sorriu. Essa com certeza estava sendo a experiência mais diferente de sua vida. E era exatamente isso que ela queria.

(6 de julho de 2010 – Porto, Portugal)

Eram 7h30 da manhã e – depois de um táxi e um trem – entramos no metrô pra última etapa do caminho até o aeroporto. Estávamos os dois tão tensos que não conseguíamos nem olhar um pra cara do outro. Já tínhamos viajado antes, mas dessa vez a chance de algo dar errado era muito maior.

Chegamos e fomos fazer o check in. Todos os guichês estavam desertos, mas no nosso a fila fazia curvas. “Tudo bem”, pensei eu, “na Ryanair quase ninguém despacha bagagem, então vai ser rapidinho”. Foi aí que avistei um grupo de 3 famílias, cada uma com no mínimo 4 filhos, 6 malas e 2 carrinhos de bebê. Ai, ceús…

Depois de quase uma hora, deu tudo certo. Passaportes: ok, bilhetes: ok, e mochilões dentro do limite de tamanho.”Agora estamos quase na sala de embarque. Uma vez lá dentro, aí sim poderemos relaxar!”, pensei.

Não tão cedo.

Eis que na saída do raio-X, o segurança me chama:
-Senhora, precisamos verificar a sua bagagem – disse ele, muito sério.
-Tá… – respondi, tentando ficar tranquila.
-Na tela aparece um objeto pontiagudo de metal maçico – disse ele, ainda muito sério.
“Ai, Jesus, será que alguém escondeu uma arma no meu mochilão?”, pensei, já bem nervosa.
Tremendo, fui tirando tudo de dentro – e o homem só olhando –, mas não havia nada  de estranho. Muito menos uma arma.
-Moço, não tem nada aqui… – disse eu, com voz de inocente.
Ele então me mostrou na tela o tal objeto. Pra mim era só um traço… Fiz cara de confusa.
-A senhora não está carregando uma faca, ou uma tesoura, ou uma caneta?
“Uma caneta!? Ele tá falando sério?” – pensei indignada – “Que mal eu posso fazer com uma caneta? Rabiscar a mesinha do avião?”
Tirei de dentro dum estojo a caneta que minha vó havia me dado e entreguei pra ele, meio incrédula.
-Hum… – disse o homem, enquanto analisava o objeto com cara de quem solocionou um mistério – Está explicado.

Aparentemente, a caneta era feita de ouro e prata maciços e por isso acusava no raio-X. Saí aliviada por ter sido liberada e aflita por agora ter que me preocupar em não perder a benedita. Preferia quando achava que era de latão…

Como ainda tínhamos um tempinho, fomos andando lentamente. Agora que estávamos na sala de embarque, podíamos relaxar.

Não tão cedo.

Acontece que o nosso portão era o 14, e nós seguimos uma placa que indicava o de número 13 – achando que logicamente o 14 deveria ser o do lado. Não em Portugal. Quando chegamos no 13, descobrimos que o 14 era simplesmente no outro extremo do aeroporto.

Enquanto corria – com o mochilão batendo nas minhas costas – percebi que não haveria tempo pra relaxar. Afinal, seriam 14 cidades, 7 países, 11 trens, 2 aviões e 8 albergues em 22 dias!

Relaxar? Agora só no Brasil. Que comece a aventura!

Anúncios

Categorias

coloque seu endreço de e-mail aqui e receba os posts na sua caixa de entrada

Junte-se a 10 outros seguidores